A Origem dos Espíritos!
Ensina a Doutrina Espírita que o Espírito é o princípio inteligente do Universo, sendo a inteligência o seu atributo essencial. Esse princípio inteligente tem sua origem no elemento inteligente universal e passa por um minucioso processo de elaboração e individualização até transformar-se no ser denominado Espírito.
1 . A Trajetória da Mônada: Da Origem ao Ser Consciente
A origem do espírito é um mistério guardado por Deus, sendo definido na Doutrina Espírita como a individualização do princípio inteligente do Universo. Os pontos centrais dessa criação envolvem a centelha divina, a evolução e o desconhecimento do momento exato
Assim, a palavra Espírito é empregada tanto para designar o princípio inteligente do Universo em termos gerais, quanto para designar esse mesmo princípio após a sua efetiva individualização.
O Espírito é criado por Deus. Não é, porém, uma emanação ou uma porção da Divindade, mas sim sua obra — exatamente como uma máquina é obra do homem que a fabrica. A máquina é o produto do trabalho humano, não o próprio homem. Deus cria o Espírito pela Sua vontade, como faz em relação a tudo no Universo. E, como a Criação Divina jamais cessa, a formação de novos Espíritos é permanente.
2. O Princípio Inteligente
🎯 A individualização
O Espírito representa a individualização do princípio inteligente, da mesma forma que o corpo físico é a individualização do princípio material. Essa individualização efetua-se ao longo de uma série de existências preliminares, nas quais o princípio inteligente cumpre a primeira fase do seu desenvolvimento, ensaiando-se para a vida. Trata-se do seu período de incubação.
✨ Características
Um trabalho preparatório, semelhante ao da germinação —, por efeito do qual o princípio inteligente sofre gradativas transformações. Ao atingir o estágio adequado, entra no período da humanização, momento em que passa a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e responsabilidade por seus atos.
🎯 Simples e Ignorantes
Assim os espíritos são criados por Deus, tendo um princípio de existência, mas não sendo eternos no sentido de sem começo (diferem de Deus, que sempre existiu). Princípio inteligente: Nascem de uma essência ou princípio inteligente universal que se individualiza ao longo do tempo. Simples e ignorantes: Segundo a codificação de Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, os espíritos são criados simples e ignorantes, sem conhecimento prévio, mas com igual capacidade de evoluir.
3. A Jornada Evolutiva nas Formas Inferiores
A propósito dessa elaboração, ensinam os Espíritos Superiores que os elementos orgânicos formadores dos germes que propiciaram a união do princípio inteligente à matéria achavam-se no estado fluídico no Espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da formação da Terra para começarem nova existência no novo globo. Criado o planeta, esses germes aguardaram as condições propícias para se desenvolverem.
O princípio inteligente individualiza-se lentamente por meio de um longo processo de elaboração nas formas inferiores da Natureza até atingir a fase humana. Através de mil modelos inferiores nos labirintos de uma escalada ininterrupta, sob a pressão dos instintos e a força de imperativos biológicos, a mônada vai tendendo para a luz, para a consciência esclarecida e para a liberdade.
Esses inúmeros avatares em milhares de organismos desempenham um papel crucial: dotar o princípio inteligente de todas as faculdades que lhe servirão mais tarde. O objetivo é desenvolver o envoltório fluídico, conferindo-lhe a plasticidade necessária e fixando nele as leis cada vez mais complexas que regem as formas vivas. Cria-se, assim, um potencial mediante o qual o futuro Espírito possa, mais tarde, manipular a matéria de modo automático e focar seu progresso superior.
Não foi o acaso que gerou as espécies animais e vegetais. Na sucessão das formas, a espécie consequente possui sempre algo a mais do que a antecedente. Tudo no Universo está submetido à lei do progresso. Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem ela acorda, reconhece-se, possui-se e torna-se consciente.
4. Do Protoplasma à Razão: A Síntese Evolutiva
A união do princípio inteligente à matéria e o seu percurso pelos reinos da Natureza são sintetizados pelo Espírito André Luiz na obra Evolução em Dois Mundos:
“Dessa geleia cósmica, verte o princípio inteligente, em suas primeiras manifestações. Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores [...], as mônadas celestes (princípio inteligente) exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma [...].
Das cristalizações atômicas e dos minerais, do vírus e do protoplasma, das bactérias e das amebas [...], o princípio espiritual atingiu os espongiários e celenterados da era paleozoica, esboçando a estrutura esquelética. Avançando pelos equinodermos e crustáceos [...], caminhou na direção dos ganoides e teleósteos [...] até entrar na classe dos primeiros mamíferos [...].
Viajando sempre, adquire [...] os rudimentos das reações psicológicas superiores, incorporando as conquistas do instinto e da inteligência [...] e, alcançando os pitecantropoides da era quaternária [...], a mônada atravessou os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.”
5. O Período de Humanização e a Ação no Invólucro Fluídico
Compreende-se, assim, que o princípio divino aportou na Terra emanando da Esfera Espiritual, trazendo em seu mecanismo o arquétipo do seu destino — tal como a semente encerra em si a árvore futura. Por envolver constantes modificações nos planos físico e extrafísico simultaneamente, muitos elos da evolução escapam às pesquisas dos naturalistas humanos, pois representam estágios da consciência fragmentária ocorridos fora do campo carnal.
À medida que se individualiza e se torna Espírito, o ser não apenas utiliza a matéria, mas aperfeiçoa continuamente seu envoltório fluídico (o perispírito). Allan Kardec aborda essa dinâmica em A Gênese:
“O corpo é, pois, o envoltório e o instrumento do Espírito e, à medida que este adquire novas aptidões, reveste outro invólucro apropriado ao novo gênero de trabalho que lhe cabe executar [...]. Para ser mais exato, é preciso dizer que é o próprio Espírito que modela o seu envoltório e o apropria às suas novas necessidades; aperfeiçoa-o e lhe desenvolve e completa o organismo, à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra, talha-o de acordo com a sua inteligência. Deus lhe fornece os materiais; cabe a ele empregá-los [...]. Quanto ao envoltório fluídico do Espírito, esse também se modifica com o progresso moral que o Espírito realiza em cada encarnação.”
A partir do momento em que ingressa no período da humanidade, o Espírito adquire o livre-arbítrio e passa a responder moralmente pelas escolhas que faz no direcionamento do seu próprio destino.
6: A Natureza e os Atributos do Espírito
Embora existam poucas informações detalhadas sobre a íntima essência do Espírito, os Espíritos Superiores esclarecem que ele é incorpóreo e constituído de matéria quintessenciada, ainda sem analogia na Terra. Sua forma é, para nós, indefinida; podemos compreendê-lo como uma chama, um clarão ou uma centelha cuja coloração varia do opaco ao brilhante, de acordo com o seu grau de pureza moral.
Em virtude da sua natureza, o Espírito transporta-se com a rapidez do pensamento. À medida que evolui, o seu poder de irradiação se amplia, permitindo-lhe projetar-se para diversos pontos ao mesmo tempo sem se dividir — fenómeno conhecido como o dom de ubiquidade.
Conforme a questão n.º 76 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos são os seres inteligentes da Criação que povoam o Universo fora do mundo material. Eles são individualizações do princípio inteligente, assim como os corpos físicos o são do princípio material. A natureza do Espírito difere essencialmente da natureza da matéria; se o princípio espiritual fosse apenas uma transformação da matéria, ele se extinguiria pela desagregação, confirmando as teses materialistas — o que a Doutrina Espírita demonstra não ocorrer.
Em O Livro dos Espíritos (questões 607 e 607-a), os Benfeitores reafirmam a grande cadeia de solidariedade da vida:
“É nesses seres [inferiores], que estais longe de conhecer inteiramente, que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco, e ensaia para a vida [...]. É, de certa maneira, um trabalho preparatório, a seguir ao qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. É então que começa para ele o período de humanidade [...].
Nada há nessa origem que deva humilhar o homem. Os grandes gênios sentem-se humilhados por terem sido fetos informes no ventre materno? Reconhecei a grandiosidade de Deus nessa admirável harmonia que faz a solidariedade de todas as coisas da Natureza.”
Desde o átomo primitivo até o arcanjo, tudo se encadeia na Criação sob o império da Lei do Progresso. Cada espécie serve de prova e filtro de transformação para que o Espírito continue sua marcha ascensional rumo à perfeição.
Rubens Policastro Meira (1930-2022)
Rubens Policastro Meira foi um destacado escritor, conferencista e estudioso da Doutrina Espírita no Brasil.
Principais Destaques e Atuação:
Estudioso do Perispírito: Destacou-se pelo estudo aprofundado dos aspectos científicos, teóricos e conceituais do perispírito.
Obras e Publicações: É autor de livros respeitados no meio, como "Atualidade de Kardec - O Perispírito" (publicado pela editora Brasbiblos em 1986 e posteriormente com relançamentos).
Divulgação Doutrinária: Atuou como palestrante, articulista e incentivador da comunicação espírita, participando ativamente de encontros e colóquios de divulgadores e órgãos de unificação, como a União das Sociedades Espíritas (USE) e eventos pelo país.
Perfil e Linha de Pesquisa
- Pesquisa do Perispírito: Ficou amplamente conhecido por suas análises aprofundadas sobre o corpo espiritual. Em sua obra principal, O Perispírito – Atualidade de Allan Kardec (publicada originalmente pela editora Brasbiblos e posteriormente por outras editoras como a Nova Editora), ele propõe reflexões instigantes. Defendia, por exemplo, o perispírito não como a sede da memória em si, mas como um elemento dinâmico de aglutinação e organização da matéria obediente ao comando do Espírito e às leis biológicas.
- Compromisso Social e Ação Prática: Defendia com firmeza que a Doutrina Espírita não deveria se limitar ao estudo teórico ou à caridade assistencialista. Em seus ensaios e palestras — como o texto "A Missão dos Espíritas" —, ressaltava que a verdadeira caridade envolve atuar nas causas das enfermidades sociais e na transformação do meio em que o indivíduo vive, em vez de manter uma postura meramente passiva.
- Ética e Defesa da Vida: Produziu diversos artigos sobre a valorização da vida humana, bioética, livre-arbítrio e o posicionamento espírita diante de temas complexos como o abortamento e a responsabilidade moral individual.
- Unificação e Divulgação: Manteve colaboração ativa com órgãos de unificação, como a União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo (USE), escrevendo para periódicos de divulgação (como o jornal Unificação) e participando de encontros doutrinários.
- Apoio aos Comunicadores: Foi anfitrião e incentivador de colóquios e encontros regionais e nacionais de divulgadores e comunicadores espíritas (como o promovido em Cuiabá/MT junto à Sociedade de Estudos e Pesquisas Espíritas).
- Postura Crítica e Autonomia: Notabilizou-se por instigar o pensamento crítico dentro do próprio movimento espírita, alertando contra o fanatismo, o personalismo e o afastamento das obras básicas codificadas por Allan Kardec.
📚 Créditos:
Bibliografia:
Atualidade de Allan Kardec (O Perispírito) - Rubens Policastro Meira
O Perispírito - Rubens Policastro Meira
Parnaso de Além Túmulo - Francisco Candido Xavier
O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
O Livro dos Médiuns - Allan Kardec
Evolução em Dois Mundos - André Luiz/Francisco Candido Xavier
Nota:
Todas as ilustrações foram criadas por Inteligência Artificial com o objetivo de complementar e enriquecer a compreensão do conteúdo textual.
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